Um dia destes uma funcionária me abordou: " o que a senhora pensa do caso Isabella?". No momento, distraída, confessei: "espero que não tenha sido o pai!". Nesta semana, a capa da revista "Veja" dizia em letras garrafais: "Foram eles!". Não consegui deixar a revista no meu quarto, mesmo jogada ao chão, como faço depois de ler meus textos. Penso que não conseguiria pisar no mesmo chão em que a revista estaria, estampada com a foto do casal, por sentir-me remetida a mais uma dor pelas quais passam os homens. Alguns, explicando a si mesmos o inexplicável, retrucam que a mídia tira proveito da dor. E, por certo o fazem. Outros, analistas, falam sobre a identificação dos curiosos com a violência e a purgação dos próprios ódios. Outros, ainda, empolgam-se em discussões sobre leis criminais no país. A verdade é que ninguém sai ileso ao se deparar com emoções tão intensas, como as deflagradas nos limites extremos. O que a mim me ocorre, além, obviamente, das pertinentes ao fato, são perguntas que tenho me feito há algum tempo. Por que as pessoas se recusam a crescer? Será por que não desenvolveram recursos internos suficientes? Será que nós, pais, mostramos de alguma forma que ser adulto é apenas ser uma criança grande? Será que idade é sinônimo de decadência? Será que ficamos tão feios e envelhecidos quando nos tornamos pais? Será que valemos menos por nos tornamos responsáveis? Será que ter responsabilidade nos destrói? Será que podemos, nós, assumidamente adultos, mostrar, contrariamente aos interesses dos botox, das plásticas, das lipos, e coisas que o valham, que mesmo sem nos tornamos ricos e famosos, somos felizes, e temos se não todas, evidentemente, muitas respostas definidas ao longo do caminho? E, ainda, será que se tivesse percebido a capacidade que o adulto tem de tolerância, de possibilidades, de argumentos, de resoluções de problemas, quem fez isso com a Isabella teria chegado ao ponto que chegou? Ainda continuo pensando...como é que eu digo que é importante saber que crescer não dói, não corrói, não destrói... E não custa tão caro assim!
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